Durante um período de um ano, o município de Ourinhos registrou a aplicação de 51.915 multas de trânsito, com arrecadação total de R$ 6.694.804,81, conforme dados publicados no Diário Oficial do Município. Os números referem-se ao período ocorrido durante a gestão do prefeito Guilherme Gonçalves
A arrecadação milionária contrasta diretamente com a realidade enfrentada pela população. Mesmo com a entrada expressiva de recursos nos cofres públicos, a cidade vive um cenário de desequilíbrio financeiro, marcado pelo maior endividamento da história de Ourinhos, segundo dados já divulgados em balanços oficiais e amplamente debatidos na cidade.
Salários atrasados e insegurança para servidores
Diversas categorias do setor público municipal enfrentam atrasos salariais recorrentes, o que tem gerado insegurança financeira para servidores e impacto direto na prestação de serviços. A situação afeta profissionais de áreas essenciais e evidencia dificuldades de gestão e planejamento financeiro.
Saúde básica em colapso
Na área da saúde, moradores relatam falta de atendimento básico, dificuldade para agendamento de consultas, ausência de médicos em unidades de saúde e demora no acesso a exames e procedimentos simples. Para grande parte da população, o atendimento primário, que deveria ser a porta de entrada do sistema, deixou de funcionar de forma adequada.
A sobrecarga das unidades e a escassez de profissionais ampliam o sofrimento de quem depende exclusivamente do serviço público.
Infraestrutura deteriorada e serviços falhos
Além da crise na saúde, Ourinhos enfrenta problemas graves de infraestrutura, como ruas esburacadas, falta de manutenção urbana, obras paradas e serviços públicos que não acompanham as necessidades da cidade. A percepção geral é de abandono em diferentes regiões do município.
Arrecadação alta, retorno baixo
Por lei, os valores arrecadados com multas de trânsito devem ser aplicados em ações como sinalização, engenharia de tráfego, fiscalização e educação no trânsito. No entanto, para muitos moradores, os efeitos dessa arrecadação não são percebidos na prática, nem no trânsito nem na qualidade de vida urbana.
O cenário levanta questionamentos legítimos sobre prioridades administrativas, uso dos recursos públicos e eficiência da gestão. Para a população, a conta é clara. O dinheiro entra, mas os problemas se acumulam.
Diante de uma arrecadação expressiva, salários atrasados, crise na saúde básica, infraestrutura precária e um endividamento histórico, cresce a cobrança por explicações e por resultados concretos. A cidade paga caro, mas segue padecendo.
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