Em um ano em que o mundo já deu inúmeros sinais do que a natureza é capaz de fazer — com temperaturas recordes, estiagens prolongadas e chuvas cada vez mais irregulares — a Prefeitura de Ourinhos caminha na contramão da responsabilidade ambiental.
Segundo informações apuradas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente autorizou a supressão de aproximadamente 85 árvores ao longo do trecho urbano da rodovia que corta a cidade. Todas as árvores foram numeradas com tinta amarela, e o mais grave: não há indícios visíveis de doença, risco de queda ou necessidade técnica que justifique o corte.
A decisão levanta questionamentos sobre a coerência das políticas ambientais adotadas pela atual gestão. Afinal, em um contexto em que a temperatura média global já atingiu 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em 2024 — marca que, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), era esperada apenas entre 2050 e 2100 —, cada árvore preservada faz diferença.
Se as previsões se confirmarem, o próximo verão será ainda mais quente que o anterior, o que torna ainda mais incompreensível a escolha de eliminar dezenas de árvores urbanas que contribuem diretamente para amenizar o calor, reduzir a poluição e melhorar a qualidade do ar.