Diante da proposta do governo estadual de conceder à iniciativa privada os pátios de veículos apreendidos em todo o estado de São Paulo, o ex-prefeito de Ourinhos e atual diretor da APM (Associação Paulista de Municípios), Lucas Pocay, se posiciona com firmeza. Em entrevista exclusiva ao Ourinhos Notícias, ele alerta para os efeitos negativos da medida, critica a falta de diálogo com os municípios e defende um modelo mais participativo e regionalizado.
Confira os principais trechos da entrevista:
JORNAL: Lucas, qual sua avaliação sobre a proposta do governo do Estado em conceder os pátios de veículos apreendidos à iniciativa privada?
LUCAS POCAY: O que me preocupa é que o governador está vendendo a ideia como uma solução moderna, eficiente e barata, mas esse discurso ignora completamente as desigualdades regionais. Ourinhos, por exemplo, tem uma realidade muito diferente da capital. A padronização do modelo pode ser um retrocesso para cidades médias e pequenas.
JORNAL: E quanto aos impactos para os trabalhadores e empresas locais?
LUCAS POCAY: São enormes. Pequenas empresas e trabalhadores do setor já se manifestaram. Essas pessoas vivem disso. Essa medida ameaça diretamente o sustento de famílias e desmonta um setor que gera emprego local. O governo não fala disso — e isso é grave.
JORNAL: As audiências públicas não garantem essa escuta?
LUCAS POCAY: Infelizmente, não. Embora tenha havido audiência, não houve escuta efetiva. A decisão já estava tomada. Não existiu análise técnica regional aprofundada, nem diálogo verdadeiro com as prefeituras. É uma imposição de cima para baixo, e isso contradiz o discurso de quem diz defender o municipalismo.
JORNAL: O governador promete tarifas mais baratas e pagamento facilitado, como via Pix. Isso não é um avanço?
LUCAS POCAY: Avanço é quando há clareza, controle e resultado para a população. Quem garante que os preços vão cair? O edital diz o contrário. As tarifas vão subir, e o cidadão vai ficar sem ter a quem recorrer.
JORNAL: O senhor mencionou o exemplo do Paraná. Por quê?
LUCAS POCAY: Porque lá tentaram algo parecido, mas não houve melhora significativa nos custos nem no atendimento. Centralizar não significa melhorar. O histórico mostra que essa tese não se sustenta.
JORNAL: Então o modelo atual seria mais adequado?
LUCAS POCAY: O modelo atual tem problemas, sim. Mas ele permite algo essencial: controle local. Hoje, as prefeituras fiscalizam, ajustam, cobram eficiência. Com a concessão a grandes grupos, perdemos isso. O município perde autonomia. E isso vai na contramão do fortalecimento dos municípios.
JORNAL: E qual seria a alternativa?
LUCAS POCAY: Que o modelo seja reavaliado. Que haja escuta verdadeira aos municípios. Precisamos de um debate técnico e político mais profundo, com participação das Câmaras, associações comerciais e prestadores de serviço. Fazer diferente não é ser contra o Estado. É ser a favor das cidades.
JORNAL: Para encerrar: por que essa bandeira é tão importante para o senhor?
LUCAS POCAY: Porque governar não é impor, é construir. E quem governa tem a obrigação de ouvir e proteger o que é essencial: autonomia municipal, empregos locais e equilíbrio federativo. Falar em municipalismo é bonito. Praticar, exige compromisso real com quem está na ponta. Eu defendo políticas com transparência, responsabilidade e resultados concretos. E estou pronto para lutar por isso.