A suspensão inesperada da eleição da APAE de Ourinhos causou estranhamento entre associados e famílias. O processo, que já tinha calendário definido, foi interrompido dias depois de a chapa de oposição protocolar toda a documentação exigida e receber o “OK” da Comissão Eleitoral.
O clima ficou ainda mais tenso quando, após validar a chapa, a própria Comissão divulgou um novo comunicado alegando “irregularidades documentais” — não da chapa, mas da gestão atual. Esse aviso serviu de justificativa para cancelar a Assembleia e adiar a votação, decisão vista como duvidosa e questionável do ponto de vista estatutário.
A troca repentina de data logo após a inscrição de uma chapa concorrente levantou suspeitas de possível interferência no resultado. Especialistas em direito associativo apontam que medidas assim podem violar princípios de isonomia e transparência, fundamentais ao Terceiro Setor.
Apesar de mencionar problemas em listas e cadastros, o comunicado não explica que irregularidades seriam essas. Não há nomes, números, documentos ou detalhes objetivos, o que ampliou a percepção de falta de transparência.
A atual gestão já enfrentava desgaste e críticas de famílias e voluntários. A APAE, antes referência regional, perdeu força e apoio no último ano, com relatos de politização interna e queda na qualidade do atendimento.
Para advogados consultados, alterar o calendário eleitoral após validar uma chapa é prática grave e, em muitos casos, anulada pela Justiça. A intervenção do Ministério Público também pode ser solicitada.
Agora, associados e famílias aguardam respostas claras sobre prazos, critérios e nova data. Fica um clima de dúvida e insegurança em uma entidade que deveria representar acolhimento, transparência e confiança.